• Ingo Maurer Átrio da Semana do Design 2007, Milão _blog_uncovering_org_chapeus
  • Átrio em Mumbai, Índia_blog_uncovering_org_chapeus
  • Steven Haulenbeek lustre com reflectoresdifusores fotográficos_blog_uncovering_org_chapeus

Quem sou eu

Minha foto
uma maçã e duas cadeiras.
Mostrando postagens com marcador jornalismo em quadrinhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador jornalismo em quadrinhos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 11 de junho de 2009

>>>Jornalismo no SALIPI: bate-papo literário



Na última quinta-feira, a 7ª edição do Salão do Livro do Piauí, o SALIPI, me chamou a atenção pelos dois primeiros "bate-papos" literários da tarde: os dois envolvendo o jornalismo.

Cabine do bate-papo literário, transmitido ao vivo pela rádio Antares. Esse ano, o SALIPI acontece na Praça Pedro II. A foto é de anos passados, onde a sede era o espaço fechado do Centro de Convenções

O primeiro, Jornalismo, linguagem e identidade, mediado pelo meu querido ex-professor de prática de jornal, Ailton Cequeira, trouxe pro público o trabalho da pesquisadora Edienari dos Anjos sobre análise de discurso do apresentador do Jornal do Piauí, Amadeu Campos.
"Tá errado!" "Há, num vai não!" "Isso é uma falta de absurdo!" "É uma
lástima..."
Todos os recursos de marca linguísticos do apresentador, ou de "ethos", como Edienari problematiza na pesquisa, não são meramente "ignorância" do apresentador ou simplesmente falta de seriedade jornalística, como muitos estudantes e professores de comunicação e jornalismo daqui do Piauí gostam de taxar: são recursos de subjetividade que o jornal local forja para criar uma identidade com o público que o diferencie dos demais jornais e que, ao mesmo tempo, se torna uma alternativa ao jornalismo "CNN" dos jornais nacionais. A verdade é que, com a apresentação de Edienari, percebemos que o regionalismo na TV é mais do que valorizar o que é da terra: é também e principalmente um elemento de identificação parte de uma estratégia discursiva para atrair mais telespectadores.

Foto: Layani Prado-AGECOM


Logo em seguida, tivemos um tema sui generis: jornalismo e quadrinhos. A professora Ana Kelma Gallas, uma das fundadoras do núcleo de quadrinhos do Piauí e professora de jornalismo da Faculdade Santo Agostinho, mediou as falas de Lucas Lins, Bernardo Aurélio e David Mário, os três com pesquisas envolvendo a linguagem dos quadrinhos: jornalismo em quadrinhos do maltês Joe Sacco, quadrinhos e cinema e quadrinhos e websites, respectivamente.

Foto: Layani Prado-AGECOM

A primeira fala foi do David, que pesquisou a relação dos quadrinhos com a internet através de um estudo em cima do site Universo HQ. O maior questionamento foi se a linguagem dos quadrinhos na internet é uma nova e híbrida comunicação ou se a internet é só uma mudança de suporte. Ele considera que existe um potencial pouco explorado ainda em relação a essa convergência midiática.

Quando o assunto é quadrinhos e cinema, a aproximação é inquestionável, a começar pela necessidade de um filme apresentar um storyboard antes das gravações. Mas a pesquisa de Bernado Aurélio, ainda em andamento e cuja formação é em artes, percebeu aproximações não só na questão dos enquadramentos, como também na forma particular de criar critérios de edição.

O assunto propriamente dito da palestra ficou a cargo de Lucas Lins, que foi orientado pela própria Anna Kelma em sua pesquisa sobre a obra de Joe Sacco, autor do premiado Palestina e tantas outras obras que trabalham o jornalismo subjetivo, no sentido mais "gonzo" e crítico do termo.

O porém deste bate-papo mais jornalístico que literário foi a presença somente de estudantes da Santo Agostinho de Comunicação, em sua maioria...e também a pouca valorização do segundo tema, apesar de todo esforço em despreconceituar os quadrinhos.


Ludmila Monteiro esperou o bate-papo literário terminar pra ir atrás de sua própria pesquisa sobre jornalismo e quadrinhos com a prof. Anna Kelma.

>>>para entrar em contato com a pesquisa de Edienari dos
Anjos:
edianaridosanjos@hotmail.com



[ ... ]

domingo, 25 de maio de 2008

>>>Reportagem em Quadrinhos-Entrevista com Fábio Franco



Bom, como a entrevista que eu fiz pra minha primeira matéria do jornal-laboratório do meu curso teve que ser editada, decidi colocá-la aqui na íntegra. A matéria fala sobre novos estilos que estão surgindo em quadrinhos: poesia, quadrinhos biográficos e reportagem quadrinhos também. Tendo como precursor o maltês Joe Sacco, criador de obras como Palestina, esse gênero recebeu uma inesperada contribuição no finzinho de 2007 com o trabalho de três jornalistas advindos do Centro Universitário da Bahia-FIB: Fábio Franco, Caio Coutinho e Leandro Silveira fizeram de seu TCC uma reportagem em quadrinhos chamada "Vanguarda: história do Movimento Estudantil da Bahia", que trata justamente do pioneirismo baiano nas lutas estudantis em quatro diferentes épocas, desde passeatas contra o nazismo em 1942 passando pela ditadura até a “Revolta do Buzu”, em 2003. A reportagem deu tão certo que foi aprovada com nota máxima pelo meio acadêmico e foi publicada durante todo às terças-feiras do mês de novembro de 2007 no caderno DEZ! do jornal A Tarde, da Bahia. A entrevista é apenas com um deles, Fábio Franco, que conseguiu tempo pra responder meus e-mails e concedeu gentilmente as respostas a tempo, graças a Deus!^^Muito obrigada, Fábio!

REPORTAGEM EM QUADRINHOS É POSSÍVEL

Calandragem: Como se deu o trabalho de pesquisa para a produção da reportagem em quadrinho “Vanguarda: História do Movimento Estudantil da Bahia”?
Fábio Franco: A princípio o nosso tema para a pesquisa seria outro. Mas não conseguimos material suficiente para produzir uma boa reportagem. Daí resolvemos falar sobre movimento estudantil. Passamos um ano pesquisando em jornais, livros e entrevistando pessoas. Foi um período complicado e satisfatório, porque acabamos descobrindo que a Bahia (e não o eixo Rio-São Paulo) que tinha sido pioneira nas manifestações estudantis brasileiras.
Calandragem: Um dos contra-argumentos contra a elevação a status de novo gênero jornalístico na reportagem em quadrinhos é que questões como enquadramento das cenas e detalhes necessários a uma narrativa em quadrinhos estariam muito além do que o repórter seria capaz de apurar. Como foi esse processo de apuração no caso da Vanguarda?
Fábio Franco: Nós optamos por fazer a apuração seguindo os moldes do jornalismo tradicional: fizemos pauta, entrevistamos, editamos e fizemos a reportagem. A partir daí que adaptamos o texto à linguagem dos quadrinhos, roteirizando e criando os story-boards. Mas teve um ponto principal: quando nós entrevistávamos, buscávamos muito mais detalhes que um repórter comum. Pedíamos detalhes das cenas, tipos de roupa, como falavam, o que falavam, entre outras coisas.
Calandragem: Quem foi que teve a idéia “maluca” de fazer do TCC uma reportagem em quadrinho?
Fábio Franco: A idéia inicial foi de Leandro. Ele queria fazer um site sobre jornalismo em quadrinho, mas nada tão audacioso como foi o projeto final. Em seguida Caio se juntou a Leandro e mudaram de site para reportagem. Eu estava fazendo uma monografia sobre charge. Como a nossa orientadora era a mesma e a linha de investigação era parecida, ela nos indicou para agrupar as informações e fazer um trabalho maior. Foi então que eu tive a idéia de falar sobre o Movimento Estudantil, tema esse que já havia sido reportado por mim e Leandro durante a graduação.
Calandragem: Vocês enfrentaram muito preconceito por escolherem os quadrinhos como mídia?
Fábio Franco: Com toda a certeza. Muita gente duvidou. Quando Leandro apresentou a idéia inicial do site, alguns alunos da nossa turma riram. Mas o que valeu foi a força de vontade e o entendimento que poderíamos provar que o quadrinho era um novo meio de transmitir informação jornalística, com credibilidade e fiel aos fatos. Não foi à toa que muitas pessoas elogiaram o material depois de pronto, em virtude de criar um método capaz, inclusive, de formar o hábito de ler jornal em jovens.
Calandragem: Aqui na UFPI, os formandos enfrentam muita dificuldade em escolherem um projeto experimental como trabalho de conclusão de curso, inclusive sobre a forma de livro-reportagem. Vocês enfrentaram muitas dificuldades quando propuseram uma reportagem em quadrinho? Como o meio acadêmico da FIB encarou isso?
Fábio Franco: Com toda a certeza. A primeira barreira foi de Leandro. Depois tivemos que lutar para o conselho acadêmico aceitar um trabalho com três alunos, fato que nunca havia acontecido. E pior foi aceitar um trabalho que ninguém havia feito. Porque no livro-reportagem, numa grande reportagem existem produtos que servirão como base para avaliação. Mas o nosso era inédito, então como poderia ser avaliado? Só que na primeira avaliação do conselho, na metade do projeto, fomos elogiados ao máximo, porque os representantes puderam perceber o que estava nascendo ali. No fim de tudo fomos aprovados com nota máxima, sem ressalvas. Mas como sempre falamos, independente do que estiver propondo, o aluno deve se empenhar, pois aquele pode ser o seu "cartão de visitas" no futuro.
Calandragem: Vocês tiveram contato com algum tipo de produção brasileira do gênero ou foi apenas inspiração da obra de Joe Sacco?
Fábio Franco: Nossa base foi Joe Sacco, até porque não havia nada publicado no Brasil, da forma como propomos. Nós encontramos apenas uma entrevista e crônicas em quadrinhos. Nós queríamos mais. E diferentemente do que Sacco faz, participando como personagem na estória, nós seguimos a risca o ideal de "imparcialidade" do jornalismo. Queríamos fazer uma reportagem, pelos métodos convencionais, a diferença seria apenas o veiculo.
Calandragem: Como anda a preparação do site próprio da Vanguarda?
Fábio Franco: Estamos finalizando o layout. Em breve teremos estórias inéditas e reais para os leitores. É uma conquista, fruto de muito trabalho ( e põe trabalho nisso). Teremos um blog também onde daremos dicas e receberemos opiniões e possíveis pautas.
Calandragem: Algum de vocês pretende continuar com projetos voltados para a produção de reportagem em quadrinho?
Fábio Franco: Todos nós. Trabalhamos juntos, apesar de cada um trabalhar num veiculo. Nosso ideal é "viver" de jornalismo em quadrinhos. Continuamos produzindo estórias novas, buscando fatos interessantes e capazes de ser transformados em reportagem. nossa equipe possui oito profissionais entre jornalistas, ilustradores e designers. E temos desejo de manter essa equipe unida.
Calandragem: Vocês acreditam que a prática pode se difundir e chegar a criar um novo gênero jornalístico reconhecido aqui no Brasil?
Fábio Franco: Quando Sacco começou a fazer as reportagens dele, jamais havia imaginado no que aquilo poderia se tornar. Hoje seus livros mostram uma realidade. Nós escrevemos mais um capítulo. Nós criamos e colocamos nossas digitais. Mesmo que não chegue ao patamar de Joe Sacco, já estamos felizes por ter o reconhecimento dos acadêmicos e dos estudantes e jornalistas do Brasil. Mas criatividade só, não basta. As empresas de comunicação do Brasil ainda não abriram os olhos para o potencial dos profissionais daqui. Infelizmente ainda estamos tentando divulgar esse novo gênero e esperamos que em breve mais pessoas estejam fazendo jornalismo em quadrinhos por aqui. E tenho certeza, que como todas as outras profissões, o jornalismo também precisa de empreendedores.


Mila Monteiro entregou a matéria com bastante atraso(não por causa do Fábio, mas ainda bem que deu pra publicar a entrevista) e procurou o e-mail do jornalista Fábio Franco na lista de(40)comentários do post sobre a reportagem em quadrinho no blog do caderno dez!

ps.:
>>>site do Vanguarda
>>>tem uma matéria que me deixou morta de inveja sobre jornalismo em quadrinho no site da revista língua portuguesa aqui
>>>sobre o Joe Sacco e seu trabalho aqui
[ ... ]
 

©2009 THE Lúdica | by TNB