
Na última quinta-feira, a 7ª edição do Salão do Livro do Piauí, o SALIPI, me chamou a atenção pelos dois primeiros "bate-papos" literários da tarde: os dois envolvendo o jornalismo.
Cabine do bate-papo literário, transmitido ao vivo pela rádio Antares. Esse ano, o SALIPI acontece na Praça Pedro II. A foto é de anos passados, onde a sede era o espaço fechado do Centro de Convenções
O primeiro,
Jornalismo, linguagem e identidade, mediado pelo meu querido ex-professor de prática de jornal,
Ailton Cequeira, trouxe pro público o trabalho da pesquisadora
Edienari dos Anjos sobre análise de discurso do apresentador do
Jornal do Piauí, Amadeu Campos.
"Tá errado!" "Há, num vai não!" "Isso é uma falta de absurdo!" "É uma
lástima..."
Todos os recursos de marca linguísticos do apresentador, ou de "
ethos", como Edienari problematiza na pesquisa, não são meramente "ignorância" do apresentador ou simplesmente falta de seriedade jornalística, como muitos estudantes e professores de comunicação e jornalismo daqui do Piauí gostam de taxar: são recursos de subjetividade que o jornal local forja para criar uma identidade com o público que o diferencie dos demais jornais e que, ao mesmo tempo, se torna uma alternativa ao jornalismo "CNN" dos jornais nacionais. A verdade é que, com a apresentação de Edienari, percebemos que o regionalismo na TV é mais do que valorizar o que é da terra: é também e principalmente um elemento de identificação parte de uma estratégia discursiva para atrair mais telespectadores.
Foto: Layani Prado-AGECOM Logo em seguida, tivemos um tema sui generis:
jornalismo e quadrinhos. A professora
Ana Kelma Gallas, uma das fundadoras do
núcleo de quadrinhos do Piauí e professora de jornalismo da
Faculdade Santo Agostinho, mediou as falas de
Lucas Lins, Bernardo Aurélio e David Mário, os três com pesquisas envolvendo a linguagem dos quadrinhos:
jornalismo em quadrinhos do maltês
Joe Sacco,
quadrinhos e cinema e
quadrinhos e websites, respectivamente.
Foto: Layani Prado-AGECOM A primeira fala foi do David, que pesquisou a relação dos quadrinhos com a internet através de um estudo em cima do site Universo HQ. O maior questionamento foi se a linguagem dos quadrinhos na internet é uma nova e híbrida comunicação ou se a internet é só uma mudança de suporte. Ele considera que existe um potencial pouco explorado ainda em relação a essa convergência midiática.
Quando o assunto é quadrinhos e cinema, a aproximação é inquestionável, a começar pela necessidade de um filme apresentar um storyboard antes das gravações. Mas a pesquisa de Bernado Aurélio, ainda em andamento e cuja formação é em artes, percebeu aproximações não só na questão dos enquadramentos, como também na forma particular de criar critérios de edição.
O assunto propriamente dito da palestra ficou a cargo de Lucas Lins, que foi orientado pela própria Anna Kelma em sua pesquisa sobre a obra de Joe Sacco, autor do premiado Palestina e tantas outras obras que trabalham o jornalismo subjetivo, no sentido mais "gonzo" e crítico do termo.
O porém deste bate-papo mais jornalístico que literário foi a presença somente de estudantes da Santo Agostinho de Comunicação, em sua maioria...e também a pouca valorização do segundo tema, apesar de todo esforço em despreconceituar os quadrinhos.
Ludmila Monteiro esperou o bate-papo literário terminar pra ir atrás de sua própria pesquisa sobre jornalismo e quadrinhos com a prof. Anna Kelma.
>>>para entrar em contato com a pesquisa de Edienari dos
Anjos: edianaridosanjos@hotmail.com